Novo sistema de Correição Virtual gera dados estratégicos para melhoria das atividades judiciárias

Lançada na manhã desta terça-feira (30), a nova versão do sistema de Correição Virtual da Corregedoria Geral de Justiça irá proporcionar um processo de trabalho mais eficiente na fiscalização das atividades judiciais e extrajudiciais pelo órgão e pelos juízes. Além disso, o sistema gera informações que permitirão aos gestores do Poder Judiciário potiguar identificar falhas e definir estratégias para aprimorar as atividades jurisdicionais e a produtividade das unidades judiciais. O lançamento faz parte da programação do Mês Tecnológico, promovido pela Secretaria de Tecnologia da Informação (Setic) do Tribunal de Justiça do RN, também responsável pelo desenvolvimento da ferramenta.

"A nova versão se destaca por introduzir em nosso sistema de correição a possibilidade de diálogo e integração com outros setores da administração da Justiça Estadual, possibilitando o aperfeiçoamento da nossa atividade fim, não só do ponto de vista da Corregedoria, mas se constituindo como mecanismo de melhoramento da própria gestão do aparelho judiciário como um todo", destacou o corregedor geral Amaury Moura, em solenidade realizada por meio de videoconferência.

Inicialmente lançado em 2018, o sistema de Correição Virtual traz agora integrações com o sistema de estatísticas GPS-Jus, com o sistema de Recursos Humanos do Poder Judiciário e com o Diário da Justiça Eletrônico. De acordo com o juiz corregedor auxiliar Diego Cabral, essa evolução torna o sistema mais robusto e vai permitir que outras atividades antes consideradas mecânicas passem a ser realizadas de maneira automática, "fazendo com que aqueles que participam de uma atividade de inspeção possam se dedicar a outras tarefas que trazem um maior significado para a atividades". O magistrado define o novo sistema como uma verdadeira mudança no processo de trabalho da correição.

Histórico das correições

O desembargador Amaury Moura destacou também que um dos grandes potenciais do sistema é permitir o armazenamento de todo o histórico das correições realizadas pela Corregedoria Geral de Justiça. "E a partir daí pode se extrair um diagnóstico para servir de base e orientação para que se tomem medidas de gestão administrativa e dos processos, tendo como consequência a melhoria da prestação jurisdicional", ressaltou o corregedor, afirmando que este é um momento importante e salutar para a história da CGJ.

O juiz corregedor auxiliar Fábio Ataíde apresentou uma simulação da comunicação entre a Corregedoria e uma unidade inspecionada durante a correição e indicou que o sistema vai permitir um processo de inspeção muito mais suave. "A Corregedoria historicamente atuou como um trem, que chega na comarca fazendo muito barulho, atrapalha muito a produção, mas que vai embora. Nós não tínhamos um acompanhamento da evolução. Nós agora estamos tirando o barulho desse trem. Nós estamos fazendo com que a Corregedoria esteja presente e acompanhe a produção da unidade. É um salto de qualidade, nós mudamos o modelo".

O secretário de Tecnologia da Informação, Gerânio Gomes, destacou o apoio recebido pela Presidência ao priorizar esse projeto e à CGJ por todos os subsídios para o seu desenvolvimento. Ele lembrou que o sistema não trouxe custos para o Judiciário e que representa mais um investimento em tecnologia feito pela atual gestão, permitindo a realização de correições de maneira muito mais performática.

Falando sobre o trabalho de desenvolvimento, que envolveu diversos setores da Setic, Gerânio Gomes disse que a integração com outros sistemas é uma tarefa complexa, custosa, que exige know how de conhecimentos de infraestrutura, de banco de dados e de administração dessas informações, parabenizando todos os envolvidos nesta tarefa.

O presidente do TJRN, desembargador João Rebouças, parabenizou a iniciativa e destacou que essa integração fornecerá informações com mais segurança e precisão no âmbito do Poder Judiciário, possibilitando que a Corregedoria e a unidade judiciária fiscalizada possam responder questionamentos sobre estatísticas, produtividade, indicadores de celeridade processual, entre outros dados.

Dados relevantes

Ao detalhar a nova versão, o juiz auxiliar Diego Cabral apontou que a coleta de informações possibilita a tomada de decisões estratégicas não com base em empirismo, mas em dados que permitirão corrigir eventuais falhas já detectadas e prever e predizer o futuro quando se busca um aprimoramento. Como exemplo, ele cita que os dados das correições indicarão quais são as falhas mais frequentes detectadas nas unidades e que a partir deste mapeamento será possível definir estratégias para atacar o problema.

O sistema acompanha todo o processo de correição, desde a fase de planejamento até a fase do arquivamento. "O sistema dá a possibilidade de mudar todo o processo de trabalho da correição, de uma maneira muito mais inteligente e com fornecimento de dados para que os gestores possam direcionar esforços no aprimoramento dos serviços judiciais, automatizando atividades mecânicas que não tem tanto significado nos dias de hoje", afirma Diego Cabral.

Um exemplo é que a Correição Virtual traz modelos e documentos pré-minutados, o que vai facilitar o trabalho de confecção de toda a documentação das correições realizadas. O sistema trabalha o conceito de paralelismo, com o processo correicional sendo dirigido pela Corregedoria, mas em comunicação direta com as unidades inspecionadas.

Nesse diálogo, a Corregedoria e a unidade judiciária respondem a questões sobre estatísticas de produtividade e indicadores de celeridade processual. Também é feita uma avaliação de 360 graus, sobre aspectos estruturais e não estruturais da unidade, de forma que a Corregedoria possa indicar os melhores caminhos para uma prestação jurisdicional efetiva pela unidade, apontando aspectos jurídicos ou administrativos que possam ser melhorados.

Inicialmente, o sistema será utilizado apenas pela Corregedoria, para a realização das correições judiciais, conforme calendário próprio do órgão. No entanto, a adaptação para correições extrajudiciais, relacionada às atividades dos cartórios, já está em andamento.

A expectativa é de que nos próximos meses será possível, inclusive, a realização de correição da unidade judiciária e da direção do foro pelos próprios juízes das unidades e diretores de foros.

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